sábado, 26 de Setembro de 2009

Projecto Berlenga


Projecto Ilha da Berlenga: Contexto e Visão Global


As Berlengas constituem uma Reserva Natural única no nosso País. Por isso torna-se imperioso preservar a Ilha que lhe dá o nome e dotá-la de todas as condições para ser legada aos nossos filhos tal como a recebemos dos nossos pais e avós. Para lá dos prejuízos que estamos infligindo ao delicado ecossistema que nela existe, é chocante que a Comissão Europeia e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente não lhe reconheçam o direito de ostentar o galardão da Bandeira Azul da Europa.


Ilha da Berlenga

Efluentes, energia eléctrica, hoje produzida através de motores a diesel, limitações ao abastecimento de água e riscos de derrames de combustível são exemplos de problemas que a Reserva tem de ultrapassar. Falhas na implantação de acções correctivas conduzirão a quebras intoleráveis da operacionalidade da Reserva. O “isolamento de Inverno” traduzido na presença de somente 2 vigilantes eventuais, em contraste com a “invasão de verão”, representada por mais de 1000 residentes e visitantes diários, vem criando problemas logísticos e de infra-estruturas que temos de nos esforçar por corrigir. Este tipo de situações correntes recomenda a adopção de uma abordagem global e integrada que servirá, simultaneamente, para tornar a Berlenga numa “low carbon island” exemplar.

Para esse efeito está em curso o Projecto designado por “Berlenga, Laboratório de Sustentabilidade”, desenvolvido sob a égide da Secretaria de Estado do Ambiente e coordenado pelo Centro para Prevenção da Poluição, C3P, apoiado pela NASA e ITB, Inc. dos USA.

O grupo de Parceiros liderado pelo C3P é composto pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, ICNB, Município de Peniche, Direcção de Faróis, Águas de Portugal, AdP, Energias de Portugal, EDP, EFACEC, GALP Energia, Portugal Telecom, PT, INESC Porto, INETI, ISQ, Rui Pena, Arnaut e Associados. A Associação formada por estas entidades está trabalhando, no respeito pelos interesses dos residentes e comerciantes da Berlenga, para a definição dos requisitos críticos, tendo em vista um projecto que maximize a utilização de um conjunto coerente de soluções. As soluções potenciais serão identificadas e avaliadas pela sua adequação aos objectivos em vista. A identificação dos requisitos, das soluções potenciais e do desenho conceptual do sistema estão sendo decididos por consenso entre todos os membros, sob consulta e aprovação do Ministério do Ambiente. Do mesmo modo que a adequação técnica e os benefícios ambientais constituirão elementos chave para o desenho conceptual do sistema, outros factores, tais como focalizar a visitação da Ilha nos seus aspectos culturais e educativos, terão igualmente de se tornar objectivos fundamentais a considerar. Deseja-se que a Berlenga possa vir a ser um “showcase” de sustentabilidade e biodiversidade a longo prazo, não só para Portugal como em relação a outras ilhas e locais remotos em geral, particularmente nos países em vias de desenvolvimento.

Pretende-se concluir o Projecto em 18 meses, tornando-se assim prioritário encontrar soluções de ponta já testadas e susceptíveis de provocar um impacto mínimo nos recursos naturais da Ilha, incluindo nisto o solo e o mar circundante, assim como a sua flora e fauna. Tal não significa que o Projecto não esteja aberto a projectos de investigação que possam complementar ou maximizar o desenvolvimento de soluções futuras mais modernas, desde que não interfiram com o calendário pré-estabelecido. Este calendário é resultado da necessidade urgente em se encontrarem soluções imediatas para os problemas mais significativos que a Ilha enfrenta. De qualquer modo, existem timings restritos pouco fáceis de ultrapassar, tais como a impossibilidade prática de trabalhos de campo no período compreendido entre os meses de Novembro e Maio.

Por outro lado, o financiamento do Projecto, que está orçado entre 2 a 3 milhões de Euros, assenta muito nas participações desinteressadas dos parceiros associados em termos de tecnologia, mão-de-obra e fornecimento de bens e serviços. Isto não chega, obviamente, para cobrir as despesas, razão pela qual se conta com as contribuições financeiras de quaisquer pessoas, públicas ou privadas, que se queiram a ele associar ou conceder-lhe patrocínio. Além disso, o Projecto está concebido para se realizar de forma modular, dando prioridade às soluções para os problemas básicos que são a geração e armazenamento de energia a partir de fontes renováveis, a produção e abastecimento de água potável, o tratamento de efluentes/saneamento e a compactação de resíduos sólidos.

No significativo grupo de Parceiros até agora reunido e onde estão representadas as competências científicas e tecnológicas indispensáveis à iniciativa, constam já algumas entidades empresariais que estão demonstrando, de uma forma clara e exemplar, através de doações financeiras, a integração voluntária de preocupações ambientais no seu objecto social.

Confiamos nesta atitude consciente de Solidariedade e de Responsabilidade Social, individual e colectiva, por parte destes e outros mais, para que o Projecto tenha êxito.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação dos Amigos da Berlenga, entidade responsável pelo Forte e com cerca de 700 sócios, confirmou hoje o fecho por parte da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), salientando que os técnicos daquele organismo já tinham estado na Ilha em Junho e tinham exigido uma série de obras de melhoramento.

De acordo com Rui Rocha, em Junho, a ASAE apareceu no Forte - onde há cerca de 20 quartos para alugar ao dia, um refeitório, um café, uma cozinha comunitária para os utentes e uma espécie de minimercado - e exigiu que fosse montado um sistema de exaustão e água doce corrente, quente e fria, na cozinha, máquina de lavar a loiça para o café, restauro de tectos, sistemas de higienização e secagem, e extintores, entre outros pontos.

Na altura, a ASAE deu à associação um mês para resolver os problemas elencados e voltou em Setembro para confirmar.

Rui Rocha lamentou que o período de tempo dado pela ASAE tenha sido tão curto, ainda por cima no auge do Verão, altura em que é mais difícil arranjar mão-de-obra, e sublinhou que algum do trabalho teve de ser encomendado a profissionais mas que outro teve de ser feito pelos próprios associados, que se disponibilizaram para interromper as férias e irem trabalhar para a ilha.

Salientando que os técnicos da ASAE mostraram disponibilidade para fornecer as informações necessárias para ajudar à resolução dos problemas, o presidente da Associação dos Amigos da Berlenga argumentou que devia ter sido dado um período maior para efectuar as obras, por falta de meios da Associação.

"Tivemos que fazer as coisas a correr e assim não pode ficar tudo bem feito. Se nos tivessem dado até ao princípio da próxima época, os melhoramentos eram executados de uma forma melhor pensada e articulada, com benefícios para todos. Assim tivemos que gastar dinheiro a correr e vamos voltar a gastar nas mesmas coisas novamente", afirmou, acrescentando que os únicos recursos financeiros da Associação provêem das quotizações e do aluguer dos quartos, dinheiro que é todo investido no Forte, pois a Associação não tem fins lucrativos.

Rui Rocha sublinhou que todos os anos o Forte tem de ser alvo de intervenções e remodelações, devido às agrestes condições atmosféricas a que está sujeito durante o Outono, Inverno e parte da Primavera, e que este ano já ali foram investidos perto de 60 mil euros.

Lembrou que este ano foi também montado um dessalinizador na Ilha que, até então, não tinha água doce corrente, e que para alimentar o sistema teve de ser comprado um novo gerador, que custou cerca de dez mil euros.
Água "só é usada para banhos"

No regresso à Ilha em Setembro, a equipa da ASAE quase não quis ver o que estava feito mas mais o que faltava fazer, diz Rui Rocha, explicando que foram intransigentes com a falta de qualidade da água doce das cisternas e da água corrente, e com a falta de licença camarária para aluguer dos quartos.

Rui Rocha esclareceu que a água doce que foi analisada pela ASAE foi a das cisternas, que é proveniente das chuvas e que é única e exclusivamente usada para banhos.

"Não estamos a falar da água que é fornecida pelo sistema de purificação através do dessalinizador, frisou.

O mesmo responsável expressou que a Associação tem a responsabilidade pelo Forte São João Baptista há 35 anos e nunca lhe foi exigida qualquer licença para aluguer dos quartos mas que já pediu esta semana uma reunião com o presidente da Câmara de Peniche para resolver o assunto, pois é a edilidade que tem a competência para passar o documento e regularizar a situação.

Os técnicos da ASAE, que estiveram na Ilha numa segunda-feira (07 de Setembro) exigiram o fecho das instalações dois depois mas admitiram o funcionamento até ao fim-de-semana porque existiam compromissos com pessoas que ali estavam de férias mas impediu a venda de qualquer produto no café ou no minimercado.

Os elementos da ASAE visitaram também um restaurante junto ao porto da Ilha, que também aluga quartos ao público, e detectaram na sua cisterna água doce imprópria para consumo, mas não fecharam o espaço porque houve o compromisso de o barco que faz a carreira regular (o "Cabo Avelar Pessoa", nome do antigo herói militar da ilha) transportar diariamente mil litros de água potável.

Só que este barco não pode atracar junto ao Forte, o que impede qualquer fornecimento de água potável àquela estrutura. Para deixarem o forte funcionar até ao fim de semana, os membros da Associação tiveram de se comprometer em arranjar uma lancha para transportar água desde o "Cabo Avelar" até ao Forte.

Contactado pela agência Lusa sobre estes problemas na Ilha, o presidente da Câmara de Peniche remeteu esclarecimentos para mais tarde.

Fonte do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade confirmou que a ASAE ordenou o encerramento do Forte "devido à má qualidade da água" doce mas excluíu qualquer responsabilidade na situação.

Lusa

terça-feira, 8 de Setembro de 2009


Peniche: Turista transportada de urgência da ilha da Berlenga

27 de Agosto de 2009, 14:46

Uma turista francesa foi transportada hoje da ilha da Berlenga, ao largo de Peniche, pelo salva-vidas do Instituto de socorros a Náufragos e reencaminhada pelos bombeiros para o hospital, com suspeitas de apendicite aguda.

O comandante municipal da Protecção Civil, José António Rodrigues, disse à Agência Lusa que a mulher, de 20 anos e nacionalidade francesa, foi assistida ainda no local no posto dos bombeiros que esta época balnear foi criado na ilha, com suspeitas de apendicite aguda.

Contactado o Instituto Nacional de Emergência Médica, acabou por ser transportada até Peniche pelo salva-vidas de Peniche e reencaminhada de ambulância para o Hospital São Pedro Telmo de Peniche pelos bombeiros locais.

Lusa/SAPO

Reserva Natural das Berlengas «Guia da Cidade» Locais - Leiria - Região Centro

Reserva Natural das Berlengas «Guia da Cidade» Locais - Leiria - Região Centro

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quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Baptismos de mergulho na Berlenga


“É como se estivéssemos dentro de um aquário”, descreve José Parreira, 39 anos, no final do seu baptismo de mergulho, que teve como cenário as azuis e cristalinas águas da ilha da Berlenga. António Monteiro, 49 anos, foi outro ‘caloiro’ que não podia ter aceite melhor desafio para a sua primeira experiência de contacto com o fascinante mundo subaquático. “Ver os peixinhos à nossa volta e a natureza debaixo de água é algo único e inesquecível”, comenta, ao mesmo tempo que garante ter reconhecido “dois polvos e um sargo” nos dez minutos que mergulhou a cinco metros de profundidade.
José e António foram dois dos cerca de cem estreantes que participaram na iniciativa “Sensações Subaquáticas”, organizada pela Associação de Operadores de Mergulho do Oeste e Município de Peniche, e inserida no Festival Sabores do Mar de Peniche.
A proposta era aliciante: Viajar na réplica de uma caravela dos Descobrimentos até à “ilha de sonho”, como é referenciada, e nas suas águas tranquilas e transparentes, abundantes em fauna e flora, bem como em destroços de barcos afundados, fazer o baptismo de mergulho.
As águas da Berlenga constituem um ‘oceanário’ selvagem, que só numa Reserva Natural protegida se pode encontrar.
A vontade de mergulhar na Berlenga é alimentada por descrições de vários entusiastas e artigos publicados em revistas da especialidade, que dão conta de um local idílico e ponto de mergulho obrigatório.
E como se não bastasse a aventura de uma primeira vez, nada como um cenário destes para tornar a experiência ainda mais memorável.
A data é 13 de Junho. O ponto de partida para a Berlenga é o cais de embarque de Peniche. Alguns mergulhadores seguem em semi-rígidos a alta velocidade em direcção à ilha, enquanto outros irão gastar mais de duas horas a lá chegar. Mas a demora compensa, porque as emoções começam logo pelo prazer de viajar na “Vera Cruz”, réplica aproximada de uma caravela dos Descobrimentos.
Foi construída por especialistas de construção naval em madeira, de acordo com o que se sabe das técnicas utilizadas no séc. XV. Tem quase 24 metros de comprimento e o mastro grande atinge 18 metros.
A brisa enche as velas e o barco avança. Lentamente. De vez em quando, um salpico de água salgada. Começa aqui a aventura. O barco inclina-se entre cada refrega e sofrem os ‘marinheiros’ que não aguentam o enjoo do balanço. A maioria sai incólume e chega à Berlenga cheia de vontade de mergulhar.
No final da experiência é altura de cada um contar a sua história. “É uma paisagem totalmente diferente da piscina e aqui vamos sempre com os olhos abertos porque levamos a máscara e a garrafa de oxigénio. Superou as minhas expectativas, porque debaixo da água do mar tudo é diferente e estamos noutra dimensão. Só pensamos em pesquisar”, relata António Monteiro.
“Foi fascinante. Fiquei fã e vou fazer um curso de mergulho”, revela Lígia Ribeiro, 43 anos. “A água estava nítida e andei por meio dos peixes. Perdi completamente a noção do tempo e quando me fizeram sinal para subir senti pena”, conta, entusiasmada.
Ana Monteiro, 18 anos, também quer repetir a experiência. “Tornámo-nos peixinhos”, exclama. “É um mundo aparte. Lá em baixo não se pensa, simplesmente vive-se o momento”, manifesta.
O presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, ressalta um dos objectivos do evento: “Quem pratica mergulho é desde logo o primeiro defensor da fauna e flora subaquáticas, o que vem aumentar a consciência da necessidade de preservação da biodiversidade”.

À descoberta da ilha

Após o mergulho é tempo de recuperar forças. Depois de uma caldeirada, há quem aproveite para descobrir os recantos da ilha, a pé ou de barco.
Mário Garcia é operador da embarcação “Pardela”, um dos vários barqueiros que efectua um circuito pela ilha, levando os visitantes às grutas, uma das quais navegável de uma ponta a outra. “Todas as partes da Berlenga são bonitas”, considera.
Filho de um antigo pescador, conhece todos os cantos da ilha. “Estou cá quatro meses por ano mas conheço a Berlenga praticamente desde que nasci. O meu pai vivia aqui e também tinha este trabalho de guiar os turistas”, refere.
É com orgulho que conta a história de cada rochedo, como o que tem a forma de uma baleia ou da cabeça de um elefante. E na gruta azul partilha o segredo: “Ponham a mão dentro de água e vejam como fica azul. É um efeito de luminosidade”.
Na Fortaleza de S. João Baptista, datada do séc. XVII, a Casa-Abrigo é explorada pela Associação Amigos das Berlengas. Entre 15 de Maio e 15 de Setembro está aberta e normalmente fica lotada em Julho e Agosto. Tem 23 quartos. Cada diária custa 12 euros.
“Há pessoas que chegam aqui e ficam logo maravilhadas e outras pensavam que vinham para um hotel de cinco estrelas, só que temos algumas coisas primitivas, como ser necessário trazer roupa de cama e restrições de água e luz”, avança Nuno Costa, um dos encarregados.
Para além dos trilhos e caminhos marcados por entre a vegetação e a fauna, com predominância das gaivotas, outras atracções da ilha são o farol e a pequena praia, mas é no Bairro dos Pescadores que se encontram as histórias mais curiosas, como o chá para o enjoo da viagem de barco. Maria Otília é a autora do chá apresentado como ‘milagreiro’, mas que afinal não passa de um momento de boa disposição proporcionado aos mais indispostos, porque o termo onde supostamente leva o líquido, ao abrir mostra um pénis gigante. “Há pessoas que vêm tão mal-encaradas da viagem e matam-se a rir depois de lhes mostrar o ‘chá da Berlenga’. Ficam logo boas”, indica Maria Otília.
Mariete Soares, mãe do cantor Beto, é funcionária da Câmara e permanece dez meses na Berlenga, e só vai para Peniche em Dezembro e Janeiro. “Acabamos por ficar quase sozinhos quando acaba o Verão mas é uma ilha de sonho e é tão bom estar no meio da tranquilidade”, declara.
José Rodrigo também ocupa uma das casas do bairro e adora o ambiente. Já a esposa não aguenta tanta acalmia. “Ao fim de dois dias de estar na Berlenga, diz que até lhe faz falta o cheiro do fumo dos carros”, confessa o marido, que não se farta de contar a história de quando as gaivotas o roubaram. “Tinha duas costeletas a grelhar e as gaivotas levaram”, assegura.

Turismo de naufrágios

A hora é de regresso à caravela “Vera Cruz”, que vai transportar de volta a Peniche os mergulhadores estreantes.
A bordo é assinado um protocolo de colaboração entre o Laboratório Nacional de Energia e Geologia e o Município de Peniche para, entre outras acções, tornar a Berlenga auto-sustentável do ponto de vista energético.
O presidente da Câmara aproveita para anunciar que o Município de Peniche vai apresentar a candidatura da Berlenga a uma das “7 Maravilhas da Natureza de Portugal”. “Estamos conscientes da importância que a ilha da Berlenga assume em termos de património natural, histórico e arqueológico”, afirma António José Correia, que no último trimestre deste ano vai também candidatar a Berlenga a Reserva da Biosfera da UNESCO.
Depois dos anúncios, altura para Armando Ribeiro, especialista em mergulho, aguçar o apetite dos ‘caloiros’. “Há uma série de barcos naufragados à volta das Berlengas, como o ‘Agios Nikolaus’, que foi descoberto por mim e alguns amigos, com dicas de pescadores. É um cargueiro grego que naufragou na década de 60 do século passado e está a 66 metros de profundidade. Ou então o ‘SS Dago’, um cargueiro inglês afundado por um bombardeiro alemão, na década de 40, e que está a 50 metros debaixo do mar”, descreve.
“Há uma mística de ver o estado dos barcos”, reconhece, adiantando que “há outros barcos muito partidos e degradados entre 20 a 40 metros de profundidade”.
No seu entender, “há um mercado potencial para o turismo, sobretudo de ingleses, suecos e dinamarqueses, mas é preciso descobrir mais coisas para cativar as pessoas”.

Francisco Gomes

Jornal das Caldas

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Passeios condicionados na ilha da Berlenga


Passear ou pescar vão ser actividades condicionadas na Reserva Natural da Berlenga, após a entrada em vigor, até Dezembro, do plano de ordenamento, que está em discussão pública até 17 de Outubro.

O documento vem fixar um conjunto de normas que, em caso de infracção, vão dar direito à aplicação de coimas e que tendem a definir "a gestão que deve ser feita naquele espaço que é pequeno" e em que "há zonas que carecem de uma protecção mais efectiva" para preservar os recursos naturais existentes, explicou o presidente da comissão mista de elaboração do plano e responsável pela Reserva, António Teixeira.

O responsável remete para uma das principais preocupações do plano: "A forte procura sazonal que ameaça arruinar o potencial e destruir o frágil equilíbrio de ecossistemas insulares" num espaço limitado a uma área de um 1,5 km de comprimento e 800 metros de largura.

Elaborado pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, o plano surge numa altura em que já está em marcha o projecto de auto-sustentabilidade por parte de vários parceiros tecnológicos - entre os quais a agência espacial norte-americana, NASA -, que pretendem dotar a ilha de infra-estruturas de geração de energia, produção de água potável e tratamento das águas residuais, capazes de criar o equilíbrio entre a preservação do património natural e a ocupação humana na ilha, que no Verão chega a atingir os mil visitantes quando a sua capacidade foi regulamentada em 350 pessoas ao ano.

Além de a ocupação da ilha ficar cingida aos espaços mais frequentados (cais, praia do Carreiro, bairro dos pescadores, Forte de São João Baptista e Farol da Ilha, ligados entre si por trilhos que vão ser recuperados, de modo a evitar o pisoteio indiscriminado e preservar o património natural), os pescadores terão a actividade dificultada, ao perder as regalias de entrada na ilha sobre os outros visitantes.

Apenas é autorizada a pesca desportiva com linhas à mão ou canas de pesca, proibindo outras práticas que ponham em risco o habitat marinho, enquanto as normas de atracagem ou de navegação junto à ilha por parte das embarcações vão ser mais apertadas. São também interditas quaisquer outras actividades, como motonáutica e sobrevoo de aeronaves, bem como obras ou deposição de lixos que prejudiquem o ecossistema ou potenciem a erosão costeira.|

Ilha Grande da Berlenga